Amigo que virou namorado

Namorar o melhor amigo tem suas vantagens. Mas como não correr o risco de ficar sem o amigo e o namorado?

Verônica Mambrini, iG São Paulo

Alexandre Carvalho/Fotoarena
Lúcia Freitas perdeu o amigo e o namorado

A empresária Lucia Freitas, 46, perdeu um grande amigo que virou namorado. “Este é um dos poucos namorados da minha vida que eu sei que vou amar até o fim. Sabe aqueles caras que te ensinam amor?”, conta. Eles se conheceram na terceira série do ensino fundamental, na escola, e cresceram juntos.

Na vida adulta, cada um seguiu seu rumo, e foram se reencontrar anos depois, numa mostra de decoração em que ele era responsável por um dos ambientes. “Me apaixonei pelo ambiente dele, supercolorido e pensei: ah, é isso que quero pra minha casa”.

O reencontro por acaso rendeu uma retomada da amizade, e Lúcia chegou a fazer a decoração do seu apartamento com o amigo. “Ele já estava casado, tinha filha, uma loja própria”. Mas o casamento dele terminou pouco depois. Lúcia também tinha acabado de acabar um namoro, e os dois se encontravam para desabafar e chorar as mágoas. “Aí a gente vê que gosta das mesmas coisas, vai assistir filme francês ou documentário e curte”, lembra. A amizade foi virando namoro. “Ficamos juntos uns dois anos, com uma pausa no meio”, lembra a empresária. Quando o relacionamento acabou, não havia mais portas abertas para o convívio e ela perdeu o namorado e o amigo ao mesmo tempo. “Com o tempo, me curei. Ficou mesmo foi o buraco da amizade, do amigo que sabe e gosta de outras coisas e compartilha”.

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O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira-Santos acredita que, por já haver afinidade e gostos em comum, o relacionamento nascido da amizade tende a ser benéfico. “É uma escolha clara e consciente. O grande problema é se a análise do outro foi distorcida, porque ele pode ter se apresentado de uma maneira falsa, ou você ter visto a verdade diferente do que ela é”, ressalva Ferreira-Santos. “A mulher é mais sujeita a achar que o outro vai mudar em eventuais defeitos. Às vezes, tende até a piorar”, acrescenta. Portanto, a maior vantagem é conhecer bem o outro realisticamente antes de engatar um relacionamento. Ferreira-Santos acredita que é essa a verdadeira sedução: “Não a conquista pela conquista, mas pelo que se é de verdade. A admiração cresce tanto ao se conhecer que o outro percebe como gostaria de estar com você”.

Amizade inabalável
Foi a enorme afinidade e proximidade que levou o publicitário Rafael Zart, 22 anos, a namorar a amiga Natália. Quando a conheceu, ele namorava uma prima dela. Tornaram-se amigos, e, com o fim do relacionamento dele, não se largavam. “A gente era muito amigo. Gostava de sair juntos mesmo quando eu estava namorando, mas não era nada demais. A gente saia para conversar só. Não ficávamos, e nunca pensamos nisso”. Até que um dia, quando ambos estavam solteiros, a coisa começou mudar. “Fomos a um show e rolou ciúmes um do outro. No dia seguinte, fomos ao cinema e pintou um clima. No outro dia, ficamos”. Assim começou o namoro.
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Para o psicanalista Paulo Quinet, diretor de divulgação da Federação Brasileira de Psicanálise, a amizade pula um estágio inicial importante: a atração. “Quando há amizade, não tem paixão. Você já conhece a pessoa. Nesse momento fundamental da relação a atração física é importante. Homens identificam isso com uma certa clareza, de forma mais sexual. A mulher, por uma questão cultural, nem sempre coloca tão claramente”, afirma. “Se a relação começa numa amizade, pode durar a vida inteira, mas é fundada na autoproteção. No fundo, a pessoa tem medo do risco e busca o conhecido”, diz o psicanalista.

Foi o que aconteceu com o namoro de Rafael. “Foi bom, mas a consciência que a gente tem é de que nunca deveria ter namorado, porque somos muito bons amigos”, conta. Depois de oito meses, eles terminaram, deram um tempo para baixar a poeira, e a amizade voltou ao normal. “A gente conversou muito, vimos que era só amizade”, diz o publicitário, que já está feliz em outro relacionamento, mas não abre mão da amiga por perto.

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